Os gênios não se criam com a fome, morrem por causa dela

Olá, leitores Laima, Francisco Lima aqui no teclado!

Hoje, trago-lhes este artigo provocante, de premissas inquietantes e de grande reflexão sobre o sistema educacional brasileiro.

Assinado por José Aparecido da Silva e Rosemary Conceição dos Santos, e publicado na Revista Brasileira de Tradução Visual (RBTV), o artigo “OS SONS DO SILÊNCIO O nivelamento por baixo” aponta que:

“Um mínimo de recursos, para não dizer zero, é aplicado pensando-se nos mais capazes. Ademais, programas voltados para estudantes brilhantes, de algum modo tão em desvantagem quanto os com dificuldades de aprendizagem, atraem pouco suporte financeiro, e, ocasionalmente, hostilidade. Considerados elitistas, raramente são tolerados pelo sistema escolar. Por quê? Pelo fato de muitos educadores esquecerem que muitas crianças talentosas são pobres e vivem em ambientes totalmente desfavoráveis. Em verdade, investimentos em crianças desfavorecidas, econômica e socialmente, têm significados práticos, assim como têm investimentos dirigidos para estudantes talentosos, cognitivamente desfavorecidos. Assim sendo, a educação brasileira precisa fazer, com urgência, um upgrade na amplitude superior da habilidade cognitiva, isto é, considerar mais, e melhor, a educação dos talentosos.

A extensão, e qualidade, da aprendizagem na educação brasileira são baixas de modo geral, pois, os padrões básicos do que uma pessoa, de habilidade mediana, pode aprender estão rebaixados. Isto faz com que o estudante talentoso tenha pouco, ou quase nenhum, estímulo para estudar intensamente.”

Se você gosta deste assunto e quer ler mais sobre ele, acompanhe-nos aqui, e, em breve, pela nova RBTV que, agora, vem fazer parte do projeto Laima (Laboratory of Artificial Intelligence and Machine Aid).

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Os sons do silêncio

Publicado por José Aparecido da Silva¹ e Rosemary Conceição dos Santos²

¹ Livre-docente da Universidade de São Paulo, Departamento de Psicologia, Campus da USP-Ribeirão Preto

² Universidade Estadual de São Paulo (UNESP)

Resumo

As habilidades dos indivíduos importam, particularmente suas habilidades em domínios específicos, pois talentos em diferentes domínios específicos têm diferentes trajetórias evolutivas que variam em função de seu início, do nível mais elevado alcançado e quanto terminam. As oportunidades fornecidas pela sociedade são cruciais em diferentes níveis do processo evolutivo do talento. Argumentamos que a sociedade deve fomentar seus talentos e, principalmente, reconhecer que diferentes processos de aprendizagem são necessários para diferentes níveis de inteligência dos estudantes.

Palavras-chave: talento, inteligência, gênio, aprendizagem, fraude educacional

Abstract

The abilities of individuals do matter, particularly their abilities in specific talent domains. Different talent domains have different developmental trajectories that vary as to when they start, peak, and end. The opportunities provided by society are crucial at every level in the talent-development process. We argue that society must promote these opportunities, and, mainly, understanding that different learning processes are requested as a function of students` different levels of intelligence.

Key-words: giftedness, intelligence, genius, learning, educational fraud

O nivelamento por baixo

A educação do jovem, compromisso de todas as sociedades humanas, é algo que pode ser feito de modo correto ou não. Consistindo em educar cada um, para que este atinja seu melhor potencial, um de seus ideais é permitir que estudantes mais capazes incorporem-na mais intensamente, dela fazendo um processo amplo, variado, profundo e desafiador. Em adição, subjacente a este processo, está a inteligência. Todavia, a ideia de que pessoas, com mais capacidade para tal, possam ser mais bem educadas, soa perigosamente, elitista. Entretanto, qualquer análise, interna ou comparativa, do empenho de escolares brasileiros, como um todo, revela que não estamos sequer conseguindo, em termos destes indicadores, educar nossos escolares adequadamente. Por quê?

Porque parece haver unanimidade, entre pais e educadores que o sistema de ensino das gerações atuais está “pior” do que aquele que nossos pais tiveram e “extremamente pior” do que o que os nossos avós receberam. Dados do analfabetismo funcional brasileiro revelam que 52% são incapazes de postar, sequer, uma carta, bem como, de dizer quando o Brasil conseguiu sua independência. Já, dados das avaliações educacionais revelam, também, que a maioria de nossos escolares de 4ª e 8ª séries não alcança o que deles se espera, colocando o Brasil nos últimos lugares entre 56 países. O risco? Não termos, se assim continuarmos, profissionais minimamente capazes de enfrentar a nova força de trabalho abstrata e simbólica que já se iniciou. Uma das razões é o declínio dos padrões educacionais nas últimas décadas, com editores e educadores que, procurando satisfazer dirigentes escolares, respectivamente, editam, deliberadamente, livros didáticos simplistas, e priorizam vocabulários textuais exíguos, suprimindo palavras mediana, ou elevadamente, complexas por imagens e cores. Tudo dentro do espírito de que “imagem é tudo”, enquanto que, “palavra é nada”. Deixando, com isso, “relaxadas” as exigências de desempenho em ciência, matemática, escrita e literatura e restritas às tarefas de casa, bem como privilegiando trabalhos, muitas vezes feitos por um, mas assinados coletivamente, aceitando pais que requerem professores menos exigentes em notas e cobrando mínimas execuções das tarefas propostas por estes. O slogan, portanto, sendo, nada se cobra, tudo se permite.

As reformas educacionais, em nome do multiculturalismo curricular, minimizaram diferenças de desempenho estudantil, levando educadores entusiasmados a fomentarem autoestima, independente do desempenho escolar. Desta forma, currículos politicamente comprometidos negligenciaram as habilidades específicas e a inteligência geral dos estudantes. Rigor e padrões de qualidade intelectual, substituídos pela valorização da diversidade e variáveis periféricas, “nivelaram por baixo” a educação básica, fundamental e média, brasileiras, tornando tudo “mais fácil” para estudantes de “inteligência média” e “facilitando em demasia” as demandas para os estudantes talentosos.

A negligência do talento

A mesma dinâmica envolvida no processo de “nivelamento por baixo”, através do qual o sistema educacional procura ajudar o estudante pouco talentoso, tem, também, um efeito redutor sobre o desenvolvimento do estudante talentoso, a saber: para atender os estudantes da cauda inferior da distribuição das habilidades cognitivas, os menos talentosos, educadores brasileiros, num primeiro momento, simplesmente suprimiram do currículo a exposição à literatura séria, o que foi seguido pela simplificação da mesma para que esta pudesse ser acessível a todos. Mas, enquanto isto ocorria, assuntos que estes materiais tratavam, capazes de empurrar os melhores estudantes até seus limites intelectuais, capacitando-os a lerem, e compreenderem, os clássicos, foram suprimidos. Ao oferecer este currículo simplificado, educadores impedem que estudantes mais talentosos movam-se, por si próprios, em busca de seu potencial máximo. Sem opção, estes talentosos seguirão, sim, o ritmo que lhes é oferecido em sala de aula. Ou seja, ao invés de lerem “A Odisseia”, por exemplo, lerão obras de autoajuda. Mas, estes mesmos alunos, melhor se ajudariam se não lessem estas últimas.

As políticas públicas atuais colocam os mesmos talentosos dentro, e os mais talentosos fora do sistema educacional. Um mínimo de recursos, para não dizer zero, é aplicado pensando-se nos mais capazes. Ademais, programas voltados para estudantes brilhantes, de algum modo tão em desvantagem quanto os com dificuldades de aprendizagem, atraem pouco suporte financeiro, e, ocasionalmente, hostilidade. Considerados elitistas, raramente são tolerados pelo sistema escolar. Por quê? Pelo fato de muitos educadores esquecerem que muitas crianças talentosas são pobres e vivem em ambientes totalmente desfavoráveis. Em verdade, investimentos em crianças desfavorecidas, econômica e socialmente, têm significados práticos, assim como têm investimentos dirigidos para estudantes talentosos, cognitivamente desfavorecidos. Assim sendo, a educação brasileira precisa fazer, com urgência, um upgrade na amplitude superior da habilidade cognitiva, isto é, considerar mais, e melhor, a educação dos talentosos.

A extensão, e qualidade, da aprendizagem na educação brasileira são baixas de modo geral, pois, os padrões básicos do que uma pessoa, de habilidade mediana, pode aprender estão rebaixados. Isto faz com que o estudante talentoso tenha pouco, ou quase nenhum, estímulo para estudar intensamente. Isto se deve, por um lado, ao fato de os pais não quererem que a “carga” de trabalhos, para serem feitos em casa, seja intensificada pelo professor e, de outro, pelo fato de educadores, gradativamente, nivelarem por baixo seus padrões supondo que em “simplificando” significado e conteúdo, todos podem aprender como o esperado. A realidade é que, num sistema educacional universal, muitos estudantes não alcançarão um nível de educação tido como básico. No sistema atual, predomina a tendência de enriquecer a educação das crianças na cauda inferior da distribuição da habilidade cognitiva. Contrastando, proponho que o sistema educacional não negligencie os talentosos, mas, sim, que equilibre a distribuição da habilidade cognitiva.

O último a entrar e o primeiro a sair

De modo geral, a sociedade brasileira, como um todo, tem respondido aos seus cidadãos talentosos com o “som” do silêncio, ignorando-os. Atitude negativa, identificadora inegável da indiferença, em relação aos que possuem elevadas habilidades cognitivas e reconhecido talento, denota, aos que a estudam, que há extremidade inferior e superior no contínuo das habilidades humanas. Porém, a ênfase, a identificação, o fomento e a alocação de recursos aos programas educacionais não têm sido iguais para ambas as extremidades. A extremidade inferior tem sido invariavelmente privilegiada. De fato, 99,9% dos fundos destinados à educação especial têm sido dirigidos para a extremidade inferior, fazendo com que educação especial seja entendida, apenas, como sinônimo de crianças excepcionais, englobando, neste todo, indistintamente, tanto aqueles com dificuldades de aprendizagem, quanto os que têm deficiência intelectual. O que faz parecer, à sociedade, que os talentosos não necessitam de qualquer educação especial. E que eles próprios, talentosos, podem, e devem, suprir suas próprias necessidades, pois, entendem que o mérito maior de serem talentosos eles já o possuem.

De um lado, o Brasil, ao longo dos últimos 20 anos, tem se voltado para proteger os direitos das minorias. Há leis, para melhor ou pior, voltadas à proteção de muitos grupos, grandes ou pequenos. Por exemplo, é possível citar programas de ação afirmativa, que reconhecem a discriminação demonstrada para com certos grupos minoritários e, algumas vezes, para com o sexo feminino. Numerosos programas que buscam garantir direitos e acesso iguais às pessoas com deficiência. E é certo que também as crianças, independente das dificuldades de aprendizagem que possam apresentar, devem ser identificadas e fomentadas. Por outro lado, os talentosos, ainda que talentosos, raramente são reconhecidos. E, infelizmente, quando são identificados, não tem havido programas de atendimento que busquem fomentar e enriquecer suas habilidades especiais e genuínas. Em outras palavras, os talentosos, tais como, as minorias, são tão desprotegido legalmente quanto qualquer grupo minoritário pode ser.

As prioridades colocadas tanto nos programas de fomento, quanto na capacitação de professores para o ensino de talentosos, caracterizam-se dentro do fenômeno “o último a entrar e o primeiro a sair”. Frequentemente, estes programas de fomento e capacitação de talentosos são os últimos, ou estão entre os últimos, a serem colocados em prática quando as condições estão boas. Sendo, também, os primeiros a serem excluídos quando as condições estão ruins. Outro problema enfrentado pelos talentosos em suas escolas é o nivelamento, por baixo, dos padrões de excelência. Na minha geração, a nota 10 representava um excelente trabalho (e olha que a maioria dos estudantes queria alcançar tal nota). Mas, hoje, basta receber uma nota cinco, que lhe garanta a aprovação, para a maioria dos estudantes agradecer em prece a obtenção de tal pontuação. Por causa disso, raramente os talentosos são desafiados a produzir o seu melhor. Fruto disso, a qualidade da educação tem sido rebaixado, substancialmente, em todos os níveis. E, professores e pais estão satisfeitos com conteúdos que, na maioria das vezes, alcançam padrões muito inferiores. Assim considerando, nosso sistema escolar, em geral, parece desvalorizar o talento, e não há dúvida de que nós estamos pagando o preço por tal atitude.

Aos nossos talentosos não está sendo dada a chance de desenvolver suas capacidades, de qualquer tipo e grau, as quais eles são capazes. Intelectualmente eles estão sendo desmotivados e desestimulados a alcançarem suas potencialidades máximas. Tais atitudes e comportamentos colocam, indubitavelmente, a nação em declínio. E precisamente por causa da valorização que se pratica da mediocridade, em detrimento da excelência. A nação precisa entender que nossos talentosos são os nossos “recursos naturais” mais valiosos, os quais, se os quisermos conservados, desenvolvidos e tornados acessíveis no futuro, necessitam ter revista, e modificada, tal atitude, de modo similar ao que se faz para qualquer outro recurso natural valioso. Enfim, necessitamos educar desde os pais, passando pelos professores, dirigentes educacionais até chegar a cada um que trabalha nas escolas. Pois, reconhecer, valorizar e fomentar os talentosos é fundamental para não ouvirmos apenas um som: o do silêncio dos que, mesmo muito capazes, foram preteridos por coisas extremamente insignificantes.

Nepotismo, Meritocracia e Igualitarismo

Há na literatura vários termos para se referir ao talento intelectual. Para alguns teóricos, o termo descreve um contínuo de habilidade, variando de “levemente talentoso” (QI 115-129, topo 2,5%) a “moderadamente talentoso” (130-144, topo 1%), “altamente talentoso” (145-159, topo 0,13%), “excepcionalmente talentoso” (topo 0,003%) e “profundamente talentoso” (topo 0,000003%), ainda que estas amplitudes de QI, e respectivas porcentagens de distribuição, possam variar ligeiramente. Outros termos, comumente relacionados, tais como, “superdotado”, “alta habilidade”, “alto potencial”, “hábil”, “superior”, “excepcional”, “supernormal”, “precoce”, “rápido”, “prodígio” e “gênio”, entre outros, são usados como sinônimos, existindo, ainda, aqueles que significam diferentes categorias ou níveis de desenvolvimento.

Gênio é o mesmo que superdotado? Uma pessoa com talento é o mesmo que um gênio? Usualmente estes termos são empregados como sinônimos, o que é incorreto. Superdotado é uma pessoa que apresenta um quociente intelectual muito superior à média da população, que é estabelecido em 100. Uma pessoa é considerada superdotada quando obtém uma pontuação superior a 130 ou 140 num teste de QI. Se fizéssemos um cálculo do número de superdotados que se espera encontrar no Brasil, teríamos que consultar uma curva normal para saber a porcentagem de pessoas que se situam acima de uma pontuação de 130. A estatística nos diz que 2,14% da população se situaria acima de 130. Se no Brasil há 200 milhões de habitantes então a previsão é que existirá algo, por volta de quatro milhões de pessoas superdotadas. Acima de 140 se situaria 0,13% da população, ou seja, pouco mais que 260 mil pessoas, seriam as consideradas extremamente inteligentes. Contudo, todos compartilham uma ideia comum: que há manifestações do potencial humano que diferenciam, intelectualmente, uma pessoa de seus grupos de referências, os quais podem ser seus pares, colegas ou conterrâneos.

Uma pessoa com talento é aquela que desenvolveu uma habilidade especial. Uma pessoa pode ter uma habilidade especial para realizar cálculos; outra, em música ou dança, e assim por diante. O talento supõe, portanto, habilidade específica em um determinado campo técnico, artístico ou profissional. Os chamados “sábios-idiotas” podem possuir um talento superdesenvolvido, enquanto todas as suas demais habilidades são escassas ou nulas. O gênio é praticamente igual ao talentoso: além de possuir habilidade excepcional em algum domínio, também é criativo. Frequentemente, as virtudes do gênio são atribuídas a uma combinação de inteligência, motivação e contexto sociocultural. O gênio requer uma alta inteligência, persistência, criatividade e um forte caráter.

Por outro lado, muitas teorias sobre o talento, ou sobre superdotados, são, fundamentalmente, conectadas às teorias da inteligência. A teoria da inteligência geral (fator g), teoria do talento que é, define-o como um QI acima de particular limiar. A teoria das inteligências múltiplas, outra teoria do talento, já admite, por sua vez, que o talento intelectual é estabelecido, num domínio particular, pelo desempenho de alto nível. A teoria triárquica da inteligência é uma teoria do talento em que o talento intelectual é determinado através do elevado desempenho em uma ou mais áreas, seja esta analítica, criativa ou do pensamento crítico. Todas, entretanto, fazem referência à inteligência e à sua mensuração, sem deixar de enfatizar o papel dos processos evolutivos nas mesmas, com algumas destacando a estabilidade da natureza e o nível do talento intelectual ao longo da vida, enquanto outras, as transformações evolutivas que ocorrem no tempo.

Todavia, independente do termo empregado, e do enquadramento teórico, muitas outras considerações determinam a relevância que um dado sistema educacional dá ao talento intelectual. Especialmente no que tange à sua definição, como ele pode ser identificado e como aquele, identificado como tal, pode ser tratado. Estas considerações são altamente contextualizadas no sistema educacional considerado, mas, certamente, envolvem aspectos econômicos, político-culturais e psicológicos que, embora em um sistema educacional multidimensional e diverso, exigem uma dimensão de compreensão particularmente importante, ou seja, mecanismos pelos quais as oportunidades educacionais são distribuídas entre os indivíduos dentro do sistema. Neste caso, embora haja muitas variantes de tais esquemas de distribuição, três são salientes dentro dos variados cenários educacionais atuais: (1) plutocracia/nepotismo/oligarquia, (2) meritocracia e (3) igualitarismo.

O primeiro esquema refere-se aos sistemas educacionais em que oportunidades e privilégios são distribuídos em função da riqueza (plutocracia), influências familiares (nepotismo) e classe social (oligarquia). Estes mecanismos de distribuição foram, comumente, característicos dos antigos sistemas educacionais, tais como, aqueles das antigas civilizações, período medieval e da era pré-industrial. Porém, ainda que, ao longo dos séculos 20 e 21, estes mecanismos tenham se desvanecido, seus resíduos são, ainda, altamente influentes em fracos sistemas educacionais, nos quais, apenas uma pequena minoria da população tem acesso à oportunidades educacionais, do tipo, por exemplo, educação superior (como ocorre na maioria dos países africanos). Influência, esta, que diminui em sistemas educacionais mais fortes.    O importante, entretanto, é que, nestes sistemas, as oportunidades educacionais são motivadas por riqueza, conexões familiares, privilégios das classes sociais, todas elas externas aos indivíduos, de forma que o talento intelectual é irrelevante neste processo.

O segundo esquema, a meritocracia, assume que o acesso às oportunidades educacionais é baseado na habilidade e nas realizações (mérito), também o necessitando ser em lugares em que as situações não ocorrem assim. O argumento que sustenta tal hipótese é o fato de os sistemas educacionais serem estratificados e agregados, de maneira que as escolas mais avançadas eduquem os estudantes mais hábeis, viabilizando lhes prosseguir estudos em instituições universitárias até que, formados, possam retribuir às sociedades que os apoiaram. No mundo, vários são os sistemas educacionais que têm tentado adotar mecanismos baseados no mérito. O objetivo? Viabilizar o acesso às oportunidades educacionais, para a criação de gerações altamente produtivas, que possam influenciar o desenvolvimento da ciência e tecnologia em seus países. A ideia de identificar crianças intelectualmente talentosas, tratando-as de maneira especial, está enraizada nesta doutrina, com seu elemento-chave baseado, apenas, nas características internas do indivíduo. Todavia, outros aspectos imediatamente surgem, tais como, no questionamento “De que forma características internas devem ser selecionadas?”, bem como, “Onde se situam as linhas divisórias entre crianças talentosas e não talentosas?”, “Como os critérios de inclusão devem ser definidos?” e “Como os estudantes talentosos, e não talentosos, devem ser educados num mesmo sistema educacional?”.

Finalmente, a doutrina do igualitarismo sustenta que, todos os indivíduos devem ser tratados como iguais, tendo as mesmas oportunidades educacionais e privilégios. Neste contexto, a suposição é de que todas as crianças, embora diferentes em seus perfis específicos, têm habilidades e, portanto, também direitos iguais às oportunidades educacionais que possam lhes desenvolver suas habilidades, quaisquer que estas sejam. Esta abordagem assume que todas as crianças são hábeis, embora em graus diferentes, e que é tarefa do sistema educacional ajustar-se de modo que as necessidades de cada um sejam alcançadas, e suas habilidades realizadas. Este enfoque muito tem influenciado o conceito e a educação do talentoso intelectual.

Entretanto, a maioria dos sistemas educacionais atuais, como, por exemplo, em Israel e Cingapura, que declaram se basear no mérito, enquanto França e Espanha, no igualitarismo, adota uma mistura dos elementos da meritocracia e do igualitarismo, mas não sem disputas. Estas, refletindo os aspectos sociais, culturais e econômicos em que tais sistemas estão inseridos, deixam claro que, a realidade da educação do talentoso intelectual, aqui envolvendo sua definição, processo de identificação, serviços e resultados desejados, está, necessariamente, alinhada a tais abordagens ou doutrinas, especialmente, em face das restrições sociais e políticas que estas refletem. Tudo se assemelha, portanto, a uma crise silenciosa, em que talentos estão sendo, constantemente, perdidos.

Educando o talento

Anos atrás, a Academia Nacional de Ciência, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos, realizou um estudo buscando entender quais seriam as habilidades dos norte-americanos para competir na busca de empregos de qualidade numa economia globalizada. A conclusão, geralmente referida como “Caçando Tempestade”, revelou, após a primeira linha de seu título, que como nação, os Estados Unidos estaria se tornando menos competitiva. Todos nós vivemos numa economia, tal como escreveu Francis Cairncross, no “The Economist”, em que a ‘distância está morta´…. e ela realmente está”. Não mais competimos para empregos, ou clientes, com vizinhos próximos à nossa rua; pois, agora competimos com nossos vizinhos ao redor do globo. Ademais, muitos destes indivíduos são altamente talentosos e todos são intensamente motivados.

Vários estudos têm indicado que entre 50 e 85 % do crescimento no PIB de uma nação, ao longo dos últimos 50 anos ou mais, pode ser atribuído aos avanços nestes campos do saber. Não obstante, enquanto apenas 4 a 5 % da força de trabalho é composta por cientistas e engenheiros, estes indivíduos desproporcionalmente criam empregos para outros 96-95%. Por exemplo, afirma-se que durante anos recentes quando apenas 700 engenheiros estavam trabalhando no desenvolvimento e no manufaturamento do Apple iPod, 14.000 empregos adicionais foram criados nos estados Unidos e, aproximadamente, 28.000 novos empregos foram criados em outros países. Um antigo presidente da Cal Tech observou que um único e verdadeiramente excelente cientista é mais valoroso do que 1.000 cientistas muito bons. De fato, parece improvável que 1.000 cientistas medianos poderiam ter produzido a Teoria Geral da Relatividade, não importa quanto tempo eles dispusessem. Nem poderiam 1.000 escritores medianos terem produzido os trabalhos de Shakespeare. Nem poderiam 1.000 compositores medianos terem criado as músicas de Beethoven.

O padrão de vida de uma nação depende substancialmente das habilidades de seus cidadãos para competirem por empregos de qualidade e, portanto, o bem-estar de nossa sociedade como um todo depende desproporcionalmente do sucesso em reconhecer e amadurecer aqueles indivíduos que tomam o papel de liderança na criatividade, inovação e, geralmente, pensam fora dos padrões ditos normais.

Assim, reconhecer e educar jovens promissores, bem como, maximizar as oportunidades para que os mesmos possam contribuir para a sociedade é atualmente uma das missões mais importantes de nossos educadores. O futuro da nação está em como educamos os nossos jovens talentosos. Entretanto, para isso devemos desmistificar dois argumentos que têm sido frequentemente usados para impedir políticas que focalizem atenção especial aos estudantes talentosos.

Primeiro, a crença de que o talento se equipara ou é sinônimo de sem- esforço, desempenho superior ou que a produção criativa ou inovação é ampla e possível a qualquer um em nossa cultura. Alguns dirigentes educacionais argumentam que nenhum atendimento especial ou programas específicos são necessários para crianças ou jovens com talentos ou dons acadêmicos especiais. De acordo com esta visão, visto que jovens talentosos requerem pouco esforço ou instrução para serem bem sucedidos, eles deveriam participar em classes inclusivas, heterogêneas e receberem instruções diferenciadas apenas quando e se parecesse razoável oferecer. Alguns ainda entendem que agrupar crianças talentosas em função de suas habilidades e altas realizações em classes especiais é antidemocrático e elitista. A verdade é uma só: estas crianças também necessitam de atenção e educação especial. O talento precisa ser fomentado.

O segundo argumento enfatiza que programas dirigidos aos talentosos existem apenas para fomentar um segmento da sociedade. A percepção comum é que a seleção dos programas para talentosos é algo relativamente arbitrário. Usualmente entende-se que os talentosos originam-se, em maior parte, das classes sociais mais afluentes. Ainda que seja verdade que a maioria origina-se da classe média, há muitos oriundos de outros segmentos sociais e com variadas características demográficas. O princípio é um só: o talento deve ser identificado e fomentado esteja onde estiver.

Em nossa sociedade haverá sempre indivíduos que inspiram-nos admiração, ou inveja, por sua rapidez em aprender, pelo desempenho gracioso, ou pelas ideias inovadoras. Por realizarem tudo isso, aparentemente, sem qualquer esforço, e por fazerem contribuições magistrais em seus campos de saber, estas pessoas talentosas nos intrigam. E, portanto, tentativas para entender, desenvolver e fomentar suas habilidades são os pilares da educação futura.

O futuro da nação depende de como educamos os talentosos

A tese que defendemos é a de que o futuro do Brasil depende de uma “elite” muito especial, que seja, apropriadamente, educada visando a direção do país, gostemos disso ou não. E seus membros, em sua maioria, estão, certamente, ainda que não necessariamente, entre os academicamente talentosos. Portanto, devemos estar seguros do que, realmente, é ensinado a esta elite. Necessitamos ensinar-lhes mais integridade, prudência, autodisciplina, coragem moral, virtude, bondade e, principalmente, sabedoria e humildade.

Mas, o que é, em termos práticos, uma elite “muito especial”? Teria a mesma definição da elite que hoje dirige o país? Pense no seu município. Quais são as pessoas que têm impacto direto na vida econômica, educacional, social e cultural do mesmo? Você constatará, facilmente, que o que é visto, ouvido e criado, em todos estes contextos, é originado por todas as pessoas especialmente talentosas que o movem. Estes talentos compõem uma elite. Ou seja, são as pessoas que se configuram com o que há de mais valorizado, e de melhor qualidade, em um grupo social. Amplie sua indagação. Pense na nação. As principais ocupações que ela absorve compõem-se de médicos, engenheiros, cientistas, jornalistas, religiosos, economistas, entre outros. E todas estas ocupam prestigiado destaque em suas ações junto à nação. Outras posições similares são ocupadas, também, por administradores, banqueiros, empresários, cineastas e docentes, de escolas básicas a superiores, usineiros etc. Do mesmo modo, também as donas de casa, com suas atividades cívicas, religiosas, filantrópicas e políticas, entre outras, que fomentam o funcionamento da nação.

Agregados, todos estes cidadãos produzem um substancial efeito na cultura, economia, política e educação brasileiras. O que eles têm em comum? Todos pertencem a uma elite talentosa, ou seja, pequeno grupo que desempenha, de modo otimizado, suas habilidades e, a despeito de seu limitado tamanho, em relação aos milhões de habitantes da nação, são os que terão um grande impacto no futuro do Brasil. Por isso, nós, necessariamente, devemos educá-los para serem conscienciosos, preparando-os para lidarem com as demandas que, através do exercício de seus respectivos papéis, são requisitadas na sociedade. Logo, o que estou demonstrando é que nossa elite já é talentosa, faltando-lhe, apenas, que seja sábia. Neste sentido, nós estamos educando-os corretamente? Não. O problema com a educação dos talentosos é que a mesma não envolve a quantidade de escolaridade, nem o treinamento profissional, mas, sim, treinamento como cidadão. Entre os talentosos que se tornarão membros desta elite, muitos tomarão decisões que afetarão a vida de todos nós, exatamente em função das posições que os mesmos ocuparão. Nós necessitamos, assim, estruturar sua educação de modo que eles tenham a oportunidade de se tornarem, não só eruditos, mas, também, sábios.

O fomento da sabedoria requer um tipo especial de educação. Ou seja, o domínio das ferramentas da expressão verbal. Não porque os talentosos necessitem, apenas, comunicar-se na vida diária, mas porque tais ferramentas são indispensáveis para o pensamento preciso em nível avançado. Os talentosos precisam fazer julgamentos, intencionais ou não, que afetam a vida das pessoas, para além de sua família e amigos. Por isso, o fomento da sabedoria requer o estudo avançado da filosofia, da psicologia, da sociologia e do humanismo em geral. Haja vista que elas precisam conhecer o que significam a virtude e a bondade. Finalmente, e indispensável, é o fato de a sabedoria, por si, requerer que ensinemos os talentosos a reconhecer seus próprios limites e incapacidades, isto é, compreender o que é humildade.

Expressão verbal é o que a elite faz em seu cotidiano. A grande maioria dos trabalhos dos membros da elite consiste em ler, teclar, escrever, ouvir, pensar, refletir e conversar. Poucos destes membros fazem o seu trabalho através de habilidades físicas. Consequentemente, advém daí a importância das habilidades verbais no ensino da educação para os talentosos. Isto compreende o entendimento da linguagem, das regras gramaticais, da estrutura semântica das frases, bem como, dos princípios do raciocínio e suas relações com a linguagem. Ademais, a expressão verbal envolve a habilidade para resolver os tipos básicos de falácias e os princípios da retórica, tanto enquanto ferramenta para a expressão, quanto proteção contra ser enganado pela retórica mal utilizada. Por sua vez, a elite precisa ser ensinada a formar julgamentos justos e corretos. Por estarem numa posição de poder que afeta as pessoas em geral, além de amigos e familiares próximos, os membros da elite devem ser hábeis em avaliar as consequências de tomadas de decisões incorretas. Uma das tarefas especiais da educação dos talentosos é aprofundá-los no estudo do que significa a bondade, bondade esta como a que se aplica à virtude. E a bondade como um modo de pensar o como viver a vida humana. Finalmente, os talentosos devem admitir que, para influenciar outros, é fundamental que reconheçam os seus próprios limites, bem como, que também eles podem vir a fracassar. Aliás, a experiência internalizada da humilhação é, para muitos, o pré-requisito para a humildade.

A habilidade especial é o bem mais precioso que uma criança talentosa possui. O tratamento especial destas crianças não é, portanto, elitista. E, do mesmo modo que fomentamos habilidades atléticas e musicais, devemos fomentar e treinar, também, os dons especiais dos talentosos, os quais, na realidade, constituem a elite especial que moverá o Brasil. Afinal, o futuro da nação depende de como nós os educamos no presente.

Esta negligência do talento tem causado vários prejuízos, tanto à educação das crianças com baixa habilidade acadêmica, quanto àquelas que têm baixos e altos desempenhos acadêmicos. Dentre estes prejuízos encontra-se a humilhação por expectativas irracionais e a negligência do que elas poderiam aprender, em função da busca do que elas não podem aprender, entre outros. Do mesmo modo, esta atitude prejudica a evolução de estudantes talentosos, desmotivando-os, deixando-os satisfeitos com menos que o seu melhor. Além disso, prejudica aqueles que estão na média ao elaborar, para os mesmos, questões inadequadas, tomando-os por imbecis. O que se pode fazer para consertar isso? O sistema educacional brasileiro deve fundamentar-se na natureza da realidade humana, e não mais na psicologia de “achismos”. A qual assola, e imbeciliza o País, de norte a sul.

Referências bibliográficas

  • Da Silva, J.A. (2003). Inteligência Humana: Abordagens biológicas e cognitivas. São Paulo. Lovise
  • Da Silva, J.A. (2005). Inteligência: resultado da genética, do ambiente ou de ambos? São Paulo: Lovise.
  • Da Silva, J.A. (2007) Inteligência para o sucesso pessoal e profissional. Ribeirão Preto: FUNPEC-Editora.
  • Da Silva, J.A. (2009). A Fraude Educacional Brasileira. Ribeirão Preto: FUNPEC-Editora.
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Gênese e utilização de modelos mentais dos usuários de websites – o processo cognitivo e perceptivo na interface usuário-computador

Olá, Francisco Lima aqui no teclado!

Hoje, trago-lhes a transcrição de um artigo publicado na RBTV, assinado por André Ricardo Melo e colaboradores, intitulado “MODELOS MENTAIS EM NAVEGAÇÃO DE WEBSITES / MENTAL MODELS IN NAVEGATION OF WEBSITEs”.

No artigo vocês lerão que “Segundo Fleming (1998), um website será bem-sucedido se proporcionar um suporte adequado às intenções e ao comportamento do seu usuário específico.

Partindo desse pressuposto, ressalta-se a importância de se conhecer como os usuários pensam e como é trabalhada a sua percepção, como a informação é processada e armazenada, qual o mapa conceitual mais adequado para ser aplicado a determinado público, fazendo com que crie modelos mentais adequados as suas necessidades.

A utilização dos modelos conceituais bem elaborados pelos designers facilita a criação de bons modelos mentais para os usuários de websites.

Deve-se levar em consideração que se têm diferentes tipos de usuários, desde os mais experientes aos novatos, desbravando um mundo totalmente novo. Dentro destes princípios Krug cita como sua principal lei sobre usabilidade: “Não me faça pensar” Krug (2006). Esta lei trata, de uma forma bem simples, como as interfaces devem ser constituídas para facilitar a formação dos modelos mentais dos usuários.”

Se você quer ver mais artigos sobre este tema, acompanhe-nos por aqui e, em breve, pela Revista Brasileira de Tradução Visual, RBTV.

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Modelos mentais em navegação de websites / Mental models in navigation of websites

Publicado por  André Ricardo Melo, Ana Katharina Leite, Carlos Alberto Vilar e Marcelo Márcio Soares.

Resumo

Este artigo apresenta um estudo da gênese e utilização de modelos mentais dos usuários de websites, constatando como acontece o processo cognitivo e perceptivo na interface usuário-computador, descrevendo tipos de memória (atuação no processo de aprendizagem e como se pode construir uma melhor navegação e usabilidade de interface com ergonomia), resultando em modelos mentais de navegação mais intuitivos e agradáveis, permitindo ao usuário maior controle e qualidade.

Palavras-chave: usabilidade, modelos mentais, ergonomia.

Abstract

Study of the genesis and use of mental models of users of websites, noting as the perceptual and cognitive process in computer-user interface, describing types of memory (in action learning process and how you can build a better navigation and usability of interface with ergonomic). Resulting in mental models of navigation more intuitive and enjoyable, allowing the user greater control and quality.

Keywords: usability, mental models, ergonomics.

1. Prólogo

É comprovadamente crescente a quantidade de pessoas usuárias de internet.

Segundo uma recente pesquisa do Ibope Nielsen Online, em março de 2009, foi identificado um crescimento de 12% no número de usuários ativos da internet no Brasil. O internauta residencial atingiu a marca de 25,5 milhões, considerando apenas este grupo de usuários. O número de computadores conectados à internet registrou o total de 38,2 milhões. O Ibope Nielsen Online admite que, considerando outros meios de acesso, o número de brasileiros internautas pode chegar a 62,3 milhões, levando-se em conta os acessos através de conexão dial-up e mobile a websites. Apontando um aumento de permanência conectada em 26 horas e 15 minutos, atribui-se tal crescimento à inserção de banda larga no país, como principal causa.

Então, pode-se concluir que isto seja uma tendência no cenário atual no qual o brasileiro vive, ou seja, as relações de consumo (compra online, inscrições em concursos, respostas ao poder público, com por exemplo, declaração de imposto de renda, vestibular e outros), o que leva a uma busca por esta tecnologia. Isto justifica um aumento de lan-houses em todo o país.

Os usuários entre as faixas etárias de 10 a 20 anos apresentam maior facilidade no contato com uso de computadores e a jogos eletrônicos (internet), enquanto que aqueles com idades mais elevadas apresentam um maior grau de dificuldade em usar estes recursos tecnológicos. Os dados são interessantes e preocupantes, visto que o número de usuários do público jovem é cada vez maior.

Então, é cabível perguntar: “o mundo encontra-se preparado para novos acontecimentos?” Será que as interfaces web que são projetadas estão adequadas tanto para os mais experientes quanto para os iniciantes? Será que os mapas mentais realmente estão proporcionando uma navegação consistente, intuitiva e de fácil entendimento?

Quando se relaciona os benefícios que uma interface bem constituída pode trazer às pessoas, no âmbito da acessibilidade, não se pode deixar de lado o aporte de contribuições que a ergonomia (ou Fatores Humanos) concede dentro da sua multidisciplinaridade, com base na definição oficial da IEA (International Ergonomic Association) 2000, que a considera como uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos, a fim de otimizar o bem estar humano e o desempenho global do sistema.

Estudos apresentados por Moraes e Mont’Alvão (2000: 11) defendem que

a única e específica tecnologia da ergonomia é a tecnologia da interface homem-sistema. A ergonomia como ciência trata de desenvolver conhecimentos sobre as capacidades, limites e outras características do desempenho humano e que se relacionam com o projeto de interfaces, entre indivíduos e outros componentes do sistema. Como prática, a ergonomia compreende a aplicação de tecnologia da interface homem-sistema a projeto ou modificações de sistemas para aumentar a segurança, conforto e eficiência do sistema e da qualidade de vida.

Segundo Memória (2005), “A utilização de breadcrumbs – migalhas de pão – auxilia na execução das tarefas de forma mais rápida, além de localizar melhor o usuário dentro da arquitetura da informação do website”.

Será que essa informação ainda é consistente para o que estamos vivendo hoje em termos de internet e no que virá pela frente?

Onde entrará a questão dos modelos mentais em navegação de websites? Qual a sua relação com as problemáticas em questão?

O objetivo deste trabalho é realizar uma observação, esclarecendo conceitualmente a importância de se proporcionar aos usuários de páginas web modelos mentais que apresentem uma boa estrutura de navegação e que sejam satisfatórias, aduzindo recomendações.

A técnica ergonômica a ser utilizada é a observação direta e indireta de entrevistas acerca da opinião de alguns usuários.

2. Memória e Percepção

Para se entender como os usuários navegam nos websites, e como são criadas suas representações mentais ou modelos mentais de navegação, precisamos definir alguns conceitos representativos, ligados ao processo de aprendizagem para os sistemas em questão.

Constantemente, somos bombardeados por uma gama de informações, estímulos, sensações que nos levam a tomar decisões, efetivar ações. Num processo cognitivo a forma como se percebe o ambiente, o repertório de informações que possui, ou seja, o quanto que se tem de conhecimento sobre algo é o que determinará quão rica será nossa experiência com o meio em questão.

Segundo Iida (2005), a percepção é o resultado do processamento de estímulos sensoriais recebidos, organizados e integrados em informação significativa, que variam de indivíduo para indivíduo, ou seja, podemos ter percepções diferentes para algo em comum, dependendo do que está armazenado em nossas memórias.

A memória trata de um modo simples como a informação é armazenada. Fialho (2000) enfatiza o surgimento de diversas correntes teóricas e de diversas origens para explicá-la. As teorias relacionadas à memória caminharam para vias opostas: a dos idealistas, que defendem uma origem ou uma natureza espiritual do sistema cognitivo humano e a dos adeptos ao materialismo científico, os quais defendem que o sistema cognitivo humano pode ser explicado a partir do esquema estímulo-resposta.

Para esclarecer o que queremos evidenciar, limitamo-nos aos três níveis de processamento citados por Iida (op cit.), que os trata como: registro sensorial, memória de curta duração e memória de longa duração. Registro sensorial são sensações e percepções que podem ou não ser transformados num registro de memória (Iida, op cit.).

Nas concepções de Broadbent (1958) a memória de curta duração é citada pelo autor como um sistema de armazenamento de curto tempo, pois trata as informações armazenadas provenientes do ambiente por um período breve de tempo.

A memória de longa duração é caracterizada por sua grande capacidade de armazenamento e recuperação através de fenômenos de ativação (Fialho, 2000).

3. Modelos Mentais e os Usuários

Antes de qualquer coisa, devemos deixar claro que modelos mentais e mapas mentais são conceitos diferentes apesar de que a eficácia de um é consequência da boa estruturação do outro, criando entre eles uma interligação em prol dos usuários de websites.

Os mapas mentais ou mapas conceituais ou ainda modelos conceituais possuem conotações e finalidades bem parecidas, tais como: representação da informação, recurso de aprendizagem e organização das ideias, podendo ser utilizados em diversas situações por diversos tipos de profissionais com o objetivo de se ter uma representação do que se quer evidenciar.

Já o mapa mental é o nome dado para um tipo de diagrama, sistematizado pelo inglês Tony Busan, voltado para a gestão de informação, de conceitos e de capital intelectual; na criação de manuais, livros e palestras (BUZAN, 2008).

Os mapas conceituais foram desenvolvidos na década de 70, pelo pesquisador norte-americano Joseph Novak (2003), que define mapa conceitual como uma ferramenta para organizar e representar o conhecimento.

Segundo Moreira e Bochweitz (1987), mapas conceituais são diagramas hierárquicos que indicam conceitos e relações entre esses conceitos.

O modelo mental é aquele que é criado no momento em que o usuário interage com as interfaces dos artefatos, são os caminhos que ele percorre até chegar à informação desejada.

Segundo Schwenk (1988), os modelos mentais são como modelos descritivos que podem explicar os modos pelos quais as pessoas deduzem explicações do passado, fazem predições sobre o futuro e escolhem alternativas no presente.

Verifica-se que, na elaboração de interfaces web, os mapas conceituais têm papel importantíssimo, influenciando na criação do modelo mental do usuário, dependendo da forma como foi concebido, o que pode ser intencional, para mantê-lo ou conduzi-lo a determinada informação, ou simplesmente o mapa mental pode ser estruturado de forma a dar maior controle e liberdade ao usuário.

4. Navegação e Usabilidade

Segundo Fleming (1998), um website será bem-sucedido se proporcionar um suporte adequado às intenções e ao comportamento do seu usuário específico.

Partindo desse pressuposto, ressalta-se a importância de se conhecer como os usuários pensam e como é trabalhada a sua percepção, como a informação é processada e armazenada, qual o mapa conceitual mais adequado para ser aplicado a determinado público, fazendo com que crie modelos mentais adequados as suas necessidades.

A utilização dos modelos conceituais bem elaborados pelos designers facilita a criação de bons modelos mentais para os usuários de websites.

Deve-se levar em consideração que se têm diferentes tipos de usuários, desde os mais experientes aos novatos, desbravando um mundo totalmente novo. Dentro destes princípios Krug cita como sua principal lei sobre usabilidade: “Não me faça pensar” Krug (2006). Esta lei trata, de uma forma bem simples, como as interfaces devem ser constituídas para facilitar a formação dos modelos mentais dos usuários.

Krug (op cit.) analisa muito bem a ideia, quando levanta as seguintes temáticas:

  1. “Nós não lemos páginas. Damos uma olhada nelas” geralmente estão apressados, sabem que não precisam ler tudo, acham que sabem tudo;
  2. “O que os projetistas criam. Os que os usuários vêem” focamos sempre em palavras e expressões que estamos executando ou colocamos sempre nossos interesses pessoais;
  3. “Não fazemos escolhas ideais. Fazemos o que é suficiente”, tendemos a supor que os usuários examinarão a página, considerarão todas as opções e escolherão a melhor. Esse é o nosso maior engano;
  4. “Não descobrimos como as coisas funcionam”.
    • “Nós apenas atingimos nosso objetivo”, não complique o óbvio, faça testes de usabilidade;
    • Projete uma navegação intuitiva, faça uso de placas indicativas, breadcrumbs (migalhas de pão), barra de utilitários;
    • Torne a navegação algo agradável, evite cliques desnecessários, sequências de submenus etc;
    • Lembre-se: o controle deve pertencer ao usuário, a ele tem que ser dado o direito de escolher o caminho ou desistir de uma tarefa.

5. Conclusão

Há muito ainda a ser trabalhado nas questões que relacionam usuário e interface web. Esta foi uma pesquisa inicial que abre precedentes para discussões futuras, ressaltando a importância do conhecimento e domínio na criação e elaboração de mapas conceituais ou mentais na navegação de websites, criando modelos mentais que proporcionem experiências de uso mais ricas, tanto para novatos quanto para os mais experientes do cyberspace.

A pesquisa confirma a tendência no crescimento de usuários e na frequência do acesso à internet, o que representa uma preocupação com relação à geração de modelos mentais mais adequados à necessidade e uso desses usuários.

Esta pesquisa mostra que é necessário fazer estudos mais detalhados com relação aos mapas mentais de navegação, que são desenvolvidos pelos projetistas; sugere que se deva realizar estudos com grupos de usuários diferentes dos citados no presente trabalho, com intenção de levantar novos dados sobre o tema, assim criando uma tabela comparativa de resultados.

7. Referências Bibliográficas

  • BOVO, Viviani, ERMANN, Walter. Mapas mentais. Water Ermann. 2005.
  • BROADBENT, D.E.. Perception and Communication. London: Pergamon. 1958.
  • BUZAN, Tony. The mind map book. Plume, 1996.
  • IEA (International Ergonomic Association) 2000.
  • FIALHO, Francisco Antonio Pereira, Introdução às Ciências da Cognição / Francisco Antonio Pereira Fialho. 1a Ed. – Florianópolis, SC – UNIVERSO 2000.
  • FLEMING, J. Web navigation: designing the user experience. Sebastopol: O’Reilly, 1998. 256p.
  • Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística. NetRatings, B2B – 5, 2008
  • IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Edgard Blucher, 2005.
  • KRUG, Steve Não me faça pensar 2 ed. Alta Books, 2006.
  • MEMÓRIA, Felipe. Design para a internet: projetando a experiência perfeita. 1 ed. Campus, 2006.
  • MODELO MENTAL. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_mental>. Acesso em 20 jul. 2008.
  • MORAES, A.; MONT’ALVÃO, C. Ergonomia: conceitos e aplicações. 2ª edição. Rio de Janeiro. Editora 2AB, 2000. 136 p.
  • MOREIRA, Marco Antônio e BUCHWEITZ, Bernardo. Mapas Conceituais: Instrumentos didáticos de avaliação e de análise de currículo. São Paulo: Moraes, 1987.
  • NOVAK, J. D. (2003). A Summary of Literature Pertaining to the Use of Concept Mapping Techniques and Technologies for Education and Performance Support. Relatório técnico submetido ao Chief of Naval Education and Training. Pensacola, FL. Arquivo pdf disponível em: http://www.ihmc.us/users/acanas/Publications/ConceptMapLitReview/IHMC%20Literature%20Review%20on%20Concept%20Mapping.pdf.
  • SCHWENK, Charles R. The essence of strategic decision making. New York: Lexington Books, 1988.
  • INTERNAUTAS BRASILEIROS Disponível em: . Acesso em 07 de mai. 2010
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A tradicional Revista Brasileira de Tradução Visual agora é projeto do Laima também

Olá, Francisco Lima aqui no teclado!

Hoje, venho trazer a todos a informação de que em breve a tradicional Revista Brasileira de Tradução Visual estará de volta e com novidades, em um projeto assumido agora pelo Laima, Laboratory of Artificial Intelligence and Machine Aid, Laima-UFPE.

Acompanhe-nos para mais informações a respeito da RBTV e sobre como você pode publicar nesta Revista científica online.

Para relembrar aqueles que estavam acostumados com a qualidade e variedade dos assuntos abordados na RBTV, e para dar um gostinho para quem ainda não teve a oportunidade de conhecer a Revista Brasileira de Tradução Visual, transcrevo Relato de Experiência publicado em 2011 na RBTV e assinado pela áudio-descritora Letícia Schwartz, a respeito do I Concurso Miss Deficiente Visual do Rio Grande do Sul.


Audiodescrição no Miss DV RS 2011: relato de uma experiência

por Letícia Schwartz
Graduada em Artes Cênicas pela UFRGS, com especialização em Interpretação Teatral pela Ecole Philippe Gaulier (Londres), é audiodescritora roteirista e narradora. Coordena a equipe de produção da Mil Palavras (http://www.milpalavras.net.br). Também desenvolve oficinas e presta consultoria a projetos de inclusão cultural. 

A noite de sete de junho foi fria. Chovia em Porto Alegre. E, na televisão, o fenômeno Ronaldo se despedia dos gramados. Nenhum desses fatores, no entanto, impediu que o Chalé da Praça XV estivesse absolutamente lotado para um evento único: o I Concurso Miss Deficiente Visual do Rio Grande do Sul.O concurso, promovido pela ACERGS (Associação de Cegos do Rio Grande do Sul), não pretendia apenas escolher a mais bela gaúcha com deficiência visual. O Miss DV pretendia ainda apresentar essas moças a uma sociedade que parece não perceber que cegueira não é sinônimo de reclusão ou dependência. Essas moças trabalham, estudam, tem filhos, cozinham, surfam, fazem dança do ventre, vão à academia. E sonham. Essas treze moças, como tantas outras, sonharam com a coroa de Miss. Sonharam com o traje de gala, com cabeleireiros e maquiadores, com o nervosismo no camarim, com fotos no jornal e entrevistas para a televisão, com o carinho dos fãs. Na noite de sete de junho, sonhos se tornaram realidade.

Impossível imaginar um evento desse porte sem audiodescrição. Uma audiodescrição capaz de traduzir em palavras não apenas as imagens, mas a emoção e a importância daquele momento.

Neste depoimento, relato o processo de trabalho da Mil Palavras para esse evento tão repleto de “primeiras vezes”: o primeiro concurso dessa natureza, nossa primeira audiodescrição ao vivo e uma primeira experiência de trabalho coletivo¹.

No primeiro momento foi realizada uma reunião com a equipe da ACERGS, entidade responsável pela organização do evento. Precisávamos compreender o objetivo do concurso, para que nossa audiodescrição estivesse alinhada com a proposta do evento. Havia a preocupação de que as descrições não fossem demasiadamente frias, uma vez que estaríamos, de certa forma, expondo as candidatas. Como se tratava de um concurso de beleza, ficou acordado que as descrições valorizariam o que cada uma das moças tinha de especial.

Propusemos que a audiodescrição tivesse transmissão aberta, o que foi imediatamente aceito pelos organizadores. Nossos argumentos se baseavam no fato do evento ser especificamente voltado para pessoas cegas, seus familiares e seus amigos. Além disso, era fundamental que as candidatas pudessem ouvir as descrições durante o desfile. Sugerimos que a descrição de cada candidata fosse integrada à fala da apresentadora, ficando a cargo dos audiodescritores a inserção ao vivo de qualquer informação relevante. No entanto, a própria apresentadora sugeriu que o trabalho fosse realizado em parceria e que a audiodescrição tivesse o devido espaço. Definida nossa participação, tratamos de avaliar a melhor forma de comunicação com a apresentadora, a fim de evitar que nossas intervenções se sobrepusessem à sua fala.

Outro ponto a ser levado em consideração em nosso planejamento era o respeito à dinâmica do evento e à ansiedade natural da plateia. Por essa razão, optamos por abrir mão de descrever o corpo de jurados e sugerimos que fosse solicitado a cada um deles que dissesse algumas palavras ao microfone para que dessa forma se fizessem presentes junto àqueles que não poderiam vê-los.

Alguns dias antes do evento, pude participar de um passeio de barco junto com as candidatas e os organizadores. Foi uma oportunidade de observar uma a uma, conversar um pouco, explicar qual seria o meu papel na noite do desfile e, principalmente, estar em contato com o grupo. Isso me permitiu acumular uma série de elementos subjetivos que, certamente, dariam um tom específico à descrição.

Estabelecidas as diretrizes básicas, nos dedicamos a descrever tudo o que poderia ser definido com antecedência. Começamos pelo local do evento, o Chalé da Praça XV. Mais do que um restaurante, o Chalé é um dos mais badalados pontos turísticos de Porto Alegre e merecia ter um pouco de sua história e arquitetura desvendados pela audiodescrição. Visitamos o local de prancheta em punho, tomamos nota dos elementos visuais, pesquisamos mais um tanto e desenvolvemos o que seria a primeira parte do nosso roteiro.

Depois, munidos de fotografias, realizamos um estudo prévio para descrição das candidatas. Sabíamos que isso só poderia ser finalizado no momento do desfile, mas buscamos estabelecer uma estrutura básica de descrição: os vestidos, a cor de pele, os cabelos, etc. Queríamos, ainda, incluir algum detalhe pessoal de cada uma das moças, alguma característica individual e única.

No dia do evento, chegamos cedo ao Chalé a fim de assistir ao ensaio geral. Nesse momento pudemos revisar nossas anotações anteriores, fazer alterações e ajustes e inserir novas informações. Um exemplo foi a parceria com o exército, estabelecida no último momento, que possibilitou que as meninas, ao invés de desfilarem com suas bengalas, fossem conduzidas pela mão por cadetes trajando uniformes históricos.

Em função do nervosismo das candidatas, não pudemos entrar no camarim para vê-las prontas. A solução foi colocar uma audiodescritora junto à entrada do salão. Sua missão era tomar nota das características da candidata que entraria na passarela a seguir e repassar essas informações para que fossem devidamente narradas no momento em que a moça estivesse desfilando. Dessa forma, conseguimos inserir detalhes significativos que evidenciavam algo de muito especial em cada uma das candidatas. Alguns exemplos: um delicado anel em forma de peixinho; ideogramas chineses tatuados no ombro, significando força, vida e felicidade; florzinhas pintadas sobre as unhas das mãos; cordão no pescoço com pingentes que representavam um casal de filhos. Essas informações provocaram sorrisos das candidatas e conferiram emoção ao desfile.

Chegou, enfim, o momento de saber quem seria a representante gaúcha no Miss Brasil DV: as treze candidatas entraram no salão de mãos dadas e se posicionaram em frente ao sofá curvo destinado a comissão julgadora. Vestiam roupa de gala, longos vestidos de musseline e crepe, bordados com pedrarias. Nos lábios, um sorriso cheio de expectativa. Em seguida entraram os cadetes, em traje histórico de Lanceiros de Osório, nas cores branca e azul. Das mãos dos cadetes, cada moça recebeu uma rosa vermelha. No semblante das candidatas, felicidade e tensão. E foram nominadas as vencedoras: como segunda princesa, Rute Antunes de Mello, de 21 anos, um metro e sessenta de altura, cabelos escuros em ondas que chegavam até o meio das costas; a primeira princesa foi Mirian Antunes de Mello, 23 anos e um metro e sessenta e quatro de altura, a pele muito clara e os cabelos castanhos tão longos que lhe chegavam quase até a cintura; e a vencedora, Giselle Guimarães Hubbe, 25 anos de idade e um metro e cinquenta e oito de altura, uma morena de cabelos longos e lisos, castanhos com mechas claras nas pontas, elegante em um vestido preto com largas listras diagonais bordadas com pedrarias prateadas, e um generoso decote na parte de trás, deixando as costas à mostra.

Depois a coroação, lágrimas e sorrisos, abraços, fotos. O encerramento de um evento que ficará na memória por muito tempo.

Possibilitar que cada candidata se reconhecesse nas nossas palavras era o nosso objetivo. Mas a conexão que se estabeleceu entre quem descrevia e quem era descrito superou todas as nossas expectativas. Fazer parte desse momento tão especial foi mais do que gratificante. Ter a audiodescrição divulgada e nosso trabalho reconhecido, também.

Notas de Rodapé

¹ A audiodescrição do I Concurso Miss DV RS contou com a colaboração de Bruno Brum Paiva, Cristina Gonçalves, Gabriel Bohrer Schmitt, Glaci Braga, Jorge Rein, Márcia Caspary e Mimi Aragon.


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